Empregos gerados pelo setor cultural
    É fundamental criar uma política pública com visão de que cultura gera resultados.

    Empregos gerados pelo setor cultural

    Um dos filmes nacionais mais celebrados e vencedor do prêmio do Júri em Cannes, Bacurau deixou uma mensagem nos créditos finais: “Este filme gerou 800 empregos diretos e indiretos”. Além disso, segundo a distribuidora Vitrine Filmes, o filme gerou uma renda de mais de 11,2 milhões de reais.

    Esta produção nacional é apenas um exemplo da importância de incentivar a cultura e valorizar todos os trabalhadores da cultura. Afinal, quando ocorre um show de música, não é apenas o cantor e sua banda que trabalham, uma vez que há toda uma produção técnica de bastidores, de som e iluminação, que fazem o espetáculo acontecer. No caso dos cinemas, empregos como, por exemplo, do bilheteiro e do pipoqueiro são garantias para gerar oportunidades e movimentar a economia.

    Eles não aparecem no palco, mas estão lá: na construção dos cenários, na alternância de luzes, nas intervenções sonoras, possibilitando a rápida troca de roupas e ajudando na caracterização dos atores. Técnicos de som, iluminação, cenografia e figurino, entre outros profissionais dos bastidores, são essenciais para as artes cênicas e nem sempre são devidamente reconhecidos por seu trabalho. Sem sua equipe técnica, afinal, um espetáculo não pode continuar.

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    O técnico de som, Gabriel Martau, trabalhava para o ator Paulo Gustavo com o sucesso Minha mãe é uma peça. Além de assegurar o funcionamento do microfone do ator, Martau era o responsável pelos efeitos musicais. “A qualquer falha, uma piada de Dona Hermínia pode perder a graça. O teatro requer uma cobertura de som muito boa, para que o público entenda perfeitamente o que os atores estão dizendo. Se o espectador perde uma palavrinha, todo o humor daquela cena vai embora”, disse o profissional.

    Bacurau é apenas um exemplo também do impacto da cultura na economia brasileira. O setor cultural corresponde a entre 1% e 4% do PIB nacional. A Secretaria da Economia Criativa do extinto Ministério da Cultura e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estimam que a cultura equivale a 2,5% do PIB. Ou seja, o que equivale a 170 bilhões de reais movimentados pelo setor cultural, que emprega cerca de 5 milhões de pessoas de forma direta e indireta. Isso é quase 6% de toda a mão de obra brasileira.

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    Portanto, é fundamental criar uma política pública com visão de que cultura gera resultados. Sejam estes educacionais, econômicos ou sociais. Por muito tempo, existiu a percepção de que cultura era apenas um gasto público, mas, na verdade, é investimento. Afinal, a cultura tem também uma dimensão estratégica, já que é um setor de ótimo impacto tributário e gera emprego.

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